Quem vê o jeito tranquilo e discreto de Alonso falar sobre seu trabalho pode nem imaginar, mas lá se vão 20 anos dedicados à fotografia profissional.
“Profissionalmente, vivi a transição da fotografia analógica para a digital. A fotografia analógica nos ensinou e nos treinou para a observação – observar todos os aspectos: luz, composição e enquadre antes mesmo de clicar, porque as fotografias não podiam ser apagadas ou descartadas” – conta Alonso.

O interesse pela fotografia começou ainda na juventude. Alonso lembra que a fotografia sempre o atraiu como arte visual. “Me atraía a composição, a forma, a iluminação que envolve os objetos e as pessoas. Lembro de ter ganho meu primeiro prêmio de fotografia na categoria livre, ainda jovem, antes de iniciar a carreira como fotógrafo”.

Pelo interesse pela fotografia, Alonso filiou-se como membro de uma associação fotográfica, onde começou a partir de cursos sobre o assunto. Sua primeira publicação em jornal foi quase por acaso. Estava na montanha mais sagrada da Catalunha (Montserrat, Espanha), quando houve um incêndio de grandes proporções e publicaram sua fotografia em primeira página. “A partir daí, comecei minha atuação como fotógrafo profissional, chegando a ser chefe de fotografia do mesmo jornal. Naquela época, eu revelava manualmente as fotografias do jornal tiradas no domingo para a edição de segunda-feira” – lembra.

Alonso conta que o interesse pela fotografia o levou a trabalhar em uma conhecida loja do ramo, que abarcava laboratório, loja de equipamentos e estúdio fotográfico. “Eu atuava nos três segmentos e fazia também a cobertura fotográfica de eventos. Além do contato direto com o público, essa experiência me trouxe o conhecimento dos processos fotográficos e dos equipamentos de forma bastante aprofundada.”

A experiência de trabalhar em estúdio fotográfico e com a fotografia de diferentes eventos o treinou para fotografar pessoas, o que exige qualidades específicas. “Fotografar pessoas requer um alto grau de empatia – entender como cada pessoa se sente quando é fotografada para conseguir dirigir a sessão fotográfica e obter bons resultados – qual a melhor luz, a pose mais natural, o melhor enquadre, a composição mais original. Além disso, fotografar pessoas é algo íntimo e pessoal. Saber captar a beleza e o brilho de cada pessoa, nos deixa mais próximos a elas” – conta ele.

A formação continuada sempre acompanhou Alonso. Foram diversos os cursos avançados de fotografia e iluminação de estúdio, realizados em Barcelona (Espanha) e outras localidades. Logo, passou a lecionar em cursos de fotografia e a oferecer oficinas com aulas teórico-práticas.

Sua primeira exposição fotográfica foi em 1996, sobre o estilo de vida americano e canadense. “Eram grandes fotografias em preto e branco por mim reveladas manualmente – coisa quase inimaginável nos dias de hoje” – relembra Alonso.

Sua segunda exposição fotográfica abordou o tema Fotografia sem Câmera, utilizando a técnica rayographs. Depois vieram outras, em diferentes momentos.

Em Barcelona, especializou-se também na cobertura de espetáculos de artes cênicas - dança, teatro, ópera, apresentações de rua. Além de um bom equipamento, este tipo de trabalho exige conhecimentos teóricos e práticos complexos para captar com fidelidade os movimentos dos artistas e as luzes especiais dos cenários. “A fotografia de artes cênicas é gratificante porque o resultado é muito plástico, muito visual. Ele não é estático, é vivo, pulsante e o trabalho fotográfico de qualidade consegue captar a riqueza do espetáculo” – conta Alonso.

Nestes 20 anos, foram vários os prêmios recebidos, tanto locais como nacionais, na Espanha e no Brasil.

Alonso conta que a experiência profissional, além dos conhecimentos técnicos, ensina a treinar o olhar. “Com a fotografia analógica, aprendemos a analisar a cena antes de cada clique, prevendo a fotografia desejada. Com a fotografia digital, é comum ver as pessoas clicarem primeiro para só depois observarem” – comenta.

“A profissão de fotógrafo mudou muito nesse tempo porque mudou o jeito das pessoas se relacionarem com a fotografia. Por um lado, a fotografia se popularizou e passou a ser acessível a um grande número de pessoas, o que é muito bom. Por outro, cabe a quem contrata um fotógrafo profissional ser cauteloso na escolha porque quantidade de cliques não significa fotografia de qualidade.” – avalia Alonso.

O que você leva da fotografia para a vida? “A fotografia como profissão nos ensina a ser discretos. Por mais que me caiba dirigir a cena, o protagonista não sou eu.”

Joan Alonso - ALONSO FOTOGRAFIA - Florianópolis

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